Orvalho da manhã
"Tão belas, cristalinas e puras, as gotículas de água, estacionadas, ansiosas pelo calor do sol, repousam na brisa suave do vento matutino. No calor tranquilo do verão, nas rajadas de outono, no gelo invernal ou na esperançosa primavera, sobrevivem corajosas ao eterno caos..."
Queria eu ser gota, queria eu ser resultado do orvalho tranquilo. Poder desfrutar do sereno da madrugada, deleitar-me sobre os fios de energia, sobre as folhas, sobre os telhados das casas. Queria poder sentir a brandura do tempo, vagaroso, sinuoso, movendo em compasso, delineando-me.
Queria presenciar o Sol, crescente, majestoso, no horizonte, resplandecendo, revivendo das sombras e acordando os seres vivos. Poder ser acalorado pelo canto dos pássaros, pelo bater de asas dos insetos, pelo cheiro macio da terra vibrante.
Ah! Se eu fosse o acumulo de orvalho, todas as segundas, terças e quartas. Ah! Se eu fosse gotícula minúscula nas quintas e a chuva de sexta. Eu não seria mais esse eu, mas ainda seria algo. Seria profundo, descometido, talvez, apenas talvez, eu fosse brilhante. Deleitando da comunhão, mudando constantemente, não me importando, vivendo na atmosfera, na ionosfera, na estratosfera...
Perderia-me incessantes vezes pelo caminho, encontraria a diversão nos parques do desconhecido e retornaria ao solo, ao céu e à brisa que me carrega.
Seria partícula, mas não uma qualquer, eu seria fundamental, eu seria motor da vida, sangue, ceiva e relva.
Queria eu ser orvalho da manhã, para todos os dias, indiferentemente, acordar e existir.



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