Liberdade Individual
Um indivíduo livre, deve, antes de tudo, não dever. Está claro que, entre muitas outras pragas, a obrigação e a coibição são as âncoras que afundam a vida neste século. Não se pode expressar-se sem ser retalhado pelas comunidades "conservadoristas". Não se pode erguer-se contra um governo majoritário, capitalista, segregador, sem enfrentar a fúria de um povo acomodado.
Vivemos em um mundo de proximidades. A globalização e a informatização tomaram conta do nosso cotidiano, nos libertou, porém, também nos aprisionou. Concordamos cegamente com termos de privacidade, com contratos de comércio digital, com concordatas, não nos preocupamos em aceitar a perda dos nossos direitos como consumidores ou como contratantes.
Abrimos mão de muitas de nossas oportunidades, não raramente, nos prostramos ao anonimato para defender a liberdade coletiva. Mas a questão que me intriga é:
Somos realmente livres individualmente?
Mantemos nossos princípios, mas traímos nossos desejos e sonhos. Mantemos a compostura e abandonamos nossos impulsos e criatividade. Sonhar tornou-se padronizado ao acesso. Só posso ter aquilo que me oferecem, olhar o que está disponível fora deste âmbito me é expressamente proibido.
Eu quero poder gritar nas ruas, expressando minha postura anti-conservadorista. Quero poder dizer abertamente que não me preocupo se existe ou não um deus, sem receber o repúdio coletivo e ignorante. Poder trair a sociedade e ser fiel aos meus conceitos pessoais.
Eu quero poder gritar nas ruas, expressando minha postura anti-conservadorista. Quero poder dizer abertamente que não me preocupo se existe ou não um deus, sem receber o repúdio coletivo e ignorante. Poder trair a sociedade e ser fiel aos meus conceitos pessoais.
Ser governado é abster-se da autonomia. Não consigo aceitar os padrões sociais, as exigências que controlam nossos modos de vestir, agir, falar... Não suporto a enxurrada de conteúdo emburrecedor dos veículos de comunicação. Não aguento mais a venda de mercadoria barata, conquistada com sangue, suor e excedente de trabalho, por valores estratosféricos. Cansado de encher os bolsos de todos que estão usufruindo dos meus serviços, todos menos Eu.
Viciamos nossas vidas ao comodismo e a delegação. Delegamos nossa responsabilidade ao governo e abrimos mão do nosso direito de escolha. Damos poder e recebemos sansões. Vivemos em uma democracia e temos que nos limitar a escolher entre o produto nacional barato, ou importado inacessível?
Fico aberto a sugestões, mas não me resguardo. Ser governado por pessoas falhas, só nos leva a situações falhas. Competição de mercado não se faz com distanciamento das fronteiras comerciais, se faz com incentivo fiscal em território nacional, se faz com divisão e acesso do bem ou serviço público igualitário.
Dormindo um povo não alcança a glória, chorando um povo não alcança a vitória, lutando um povo alça voo!
Da próxima vez que falarmos sobre limites, por que não começamos nos perguntando, que nos impõe tais limites?

