O que nos separa da verdade?
Somos seres cheios de ilusões... Mas a verdade pode prevalecer a tudo e um dia simplesmente aparecerá!
Pensando muito sobre as coisas que deixei para trás, considerando que o passado é história eu precisei muito analisar a minha. Portanto eu decidi contar meu monólogo...
[...] Desde que me lembro eu tenho muita vontade de aprender, lembro de sempre querer saber mais e sobre diversas coisas, sem me limitar a uma área específica de conhecimento, sem me prender a divisões... Em casa tudo que eu gostava de fazer era ler, realizar cálculos e andar, eu andava de um lado para outro, imaginando coisas, inovando a existência, dando novos aspectos ao meu mundo frio e sem ninguém além de mim. Eu nunca me senti confortável em compartilhar nada com meus pais, minha mãe tem uma visão restrita e unilateral de tudo que ela sabe e meu pai é um ser completamente cheio de ignorância e arrogância. É dispensável dizer que ninguém na minha família me incentiva a nada, pelo contrário muitas vezes eu fui alvo de dúvidas e discussões, como se eu não tivesse ali falavam de mim, como se eu não fosse um ser humano brincavam com meus sentimentos, não era e não é algo que eu admire em minha existência.
Basicamente minha faze de fazer perguntas sobre diversas coisas começou tão rapidamente quanto os meus neurônios puderam iniciar seu trabalho de aprendizagem, ou seja, geralmente as pessoas não tinham paciência para explicar coisas para mim, mas eu insistia em saber de tudo um pouco, eu era realmente uma criança insuportavelmente falante. Quando entrei na escola tudo era bem entediante, as pessoas, os professores e principalmente o conteúdo, eu já sabia tudo aquilo, e isso me irritava, a professora dobrava a quantidade de atividades para mim, como se treinar me fizesse aprender algo novo... Eu odiava treinar coisas que eu já sabia, eu queria saber mais.
Mudamos de cidade e o ensino era ainda pior, acho que nunca aprendi nada na escola realmente interessante, tudo foi sempre um tédio, eu lia os livros didáticos e no fim eu já sabia toda a matéria patética que os professores passavam. Lembro que em algumas aulas as professoras enchiam o quadro de textos inúteis, cansei de chorar por não conseguir copiar tanta coisa ou por me irritar por ter que copiar aquilo e nem sequer receber uma explicação da razão de fazê-lo. Passei submisso e quieto da 1ª à 8ª série. Em casa era sempre a mesma chatice, minha mãe me fazia fazer alguns serviços domésticos e depois eu saia e ficava sozinho no quintal, as tarefas que os professores passavam ou eu fazia na própria escola na hora do intervalo ou ia até a biblioteca fazer.
Foi quando fiz 15 anos que me senti realmente sozinho e notei o quanto a realidade era dolorida e cheia de sofrimentos. Comecei com algumas decepções leves e amorosas, até decepções próprias, eu me odiava em todos os sentidos. Eu odiava o espelho, ter nascido, estar vivo e existir... Enfim eu odiava tudo que andava, respirava ou que simplesmente não fizesse coisa alguma... Meu ódio era tudo que havia restado. Aulas de inglês cheias de verbo To Be, aulas de Língua Portuguesa cheias de questões de interpretação e gramática, em matemática eu só olhava para o quadro e de vez em quando rabiscava o caderno, geralmente eu tinha uma facilidade estratosférica para realizar qualquer calculo mesmo sem saber fórmulas e expressões. Então pela tarde, eu ia até a biblioteca, e fuçava tudo que eu podia inclusive a parte que a bibliotecária dizia ser proibida para minha idade. Foi justamente nessa área que encontrei livros de psicologia, parapsicologia, neurociência, alguns artigos acadêmicos, enciclopédias e livros de sexologia (os últimos eu não usava, mas meus “amigos” gostavam).
Por falar nos meus “amigos”, nos unimos muito no ensino médio, acho que encontramos semelhanças em nossas frustrações, éramos um grupo de cinco pessoas muito peculiares, uma menina que fingia ser boazinha e cheia de amor com o mundo (quem ela achava que estava enganando eu não sei), uma garota sombria, cheia de manias, desconfiada, ansiosa e costumeiramente arrogante (não mudou quase nada, atualmente é a pessoa mais próxima de mim, contudo acha que me engana, mas eu sei muito bem que o desejo dela me superar a qualquer custo reside naquela mente cheia de amargor), um menino de voz peculiar, andar peculiar, e semi-analfabeto, que tinha delírios de grandeza e buscava encontrar incessantemente defeitos nas pessoas para se vangloriar de sua grandeza (grandeza tão incrível que até hoje é incapaz de escrever uma frase sem um corretor ortográfico), um rapaz que era um ano mais velho que todos nós, superficial, cheio de futilidades (espero que ele tenha se livrado disto) e fortemente influenciável, e como todos nós, completamente excluído.
Eu era de todos a pessoa mais cheia de infantilidades, demasiadamente ingênuo eu costumava achar que eles eram meus amigos por que parecíamos em geral uns com os outros, claro que não queriam nada além de se aproveitar das minhas habilidades matemáticas e do meu conhecimento. Não é nem um pouco ridículo lembrar que eu era mesmo inteligente, eu poderia estar sendo humilde aqui, mas então teria que deixar o realismo de lado, escondendo o fato que de todos eles eu não levantava uma palha para ser o melhor, era só ter vontade e todos eles eram totalmente minorizados. Parece narcisista dizer que muitas vezes eu deixei alguns deles se saírem melhor em algumas situações, eu gostava mesmo de reconhecimento e isso eu recebia dos elogios constantes vindos dos professores.
Um ponto interessante levantado por uma “amiga” certa vez, foi ela ser “melhor” em Língua Portuguesa e literatura e eu tirar apenas notas para passar, ela afirmou veementemente que eu não tirava notas mais altas por que eu não conseguia. Só me restou rir e lembrar que em tal matéria eu nunca abria um livro para ler, que odiava literatura clássica, e que preferia obras contemporâneas, logo eu ignorava totalmente o que a professora falava ou passava em forma de atividades, mesmo assim eu era capaz de usar a lógica para tirar notas azuis. Para minha “amiga” só resta lamentar ela se esforçar exacerbadamente lendo seus livros e copiando a matéria, não acho que ela tenha sido ganhado nada de interessante tentando ser melhor do que eu... Por que ela nunca será!
E aí entra o que eu gostaria de lembra ao mundo. Eu posso ter me escondido, abaixado e humilhado, mas me cansei, eu não quero mais ser o idiota humilde que aceita tudo e que tenta compreender as pessoas como capazes. Eu sou o centro da minha existência e não vou mais colocar ninguém nesse patamar. Não me serve de nada relevar tudo que pessoas inferiores e fracas dizem, todos temos a oportunidade de fazer a diferença, não é por isso que eu vou me rebaixar a ninguém, nem mesmo aos meus ditos “amigos”, agradeço sempre mentalmente a eles por terem me apresentado como “O bolsista do Proune” para seus colegas de classe, gostaria de lembra a eles que nenhum destes foi sequer capaz de atingir nota suficiente para concorrer a uma bolsa. Gosto de lembrar que no fim o medíocre foi quem sentiu inveja e não conseguiu se garantir com a própria capacidade.
Infelizes ou não, cansei de todos os falsos ao meu redor, iludir-me com esses aspectos me cansou e eu não vou mais ser o que não sou. Doa a quem doer, fira a quem ferir, nenhum ser vivo é capaz de me dizer que estou errado dando valor a mim mesmo[...]
Enfim, isso é a verdade, acreditar em si, transparecer sua confiança, amor próprio, nada disso nos faz piores que ninguém, isso apenas reforça nossa fé em si mesmos. Desculpem-me todos os professores que clamavam que eu fosse humilde, desculpe meus queridos “amigos” que queriam que eu estivesse no nível deles, descer não faz parte da minha caminhada mais, se eu recebi potencial eu não vou desonrar meu dom me rebaixando aos achismos e invejas... O que nos separa da verdade é a fraqueza e o medo de crescer, evoluir, aprender e aceitar o que somos, amando nossa condição e lembrando que na realidade somos seres ilimitados!


