A realidade da educação no Paraná...


"Eu considero que para desenvolvimento social o critério que se avalia um país é a proteção que damos aos jovens e às crianças. Protegê-los da desigualdade de oportunidades. Protegê-los do crime organizado. E, sobretudo, protegê-los do trabalho precoce que os tira dos bancos das escolas.” Dilma Rousseff



Atualmente trabalho em uma escola onde é ofertado o ensino fundamental e a educação infantil. Acompanho de perto relatórios e laudos médicos sobre a situação psicológica da maioria dos alunos que estudam nesta unidade de ensino e tudo que tenho visto tem me feito questionar muito alguns diagnósticos.
Quando comecei a trabalhar com a educação a três anos, entrei em uma escola onde a realidade social dos alunos era de um padrão médio e alto, poucos deles eram de classes baixas e a escola oferta uma estrutura primorosa para um âmbito público. Nesta realidade onde estive por dois anos, pude notar que poucos dos alunos sofriam de algum transtorno que atrapalhasse seu desenvolvimento cognitivo ou seu desempenho em sala de aula, e os poucos que apresentavam dificuldade no aprendizado recebiam total atenção e ensino complementar. A um ano fui transferido para uma escola situada na periferia da cidade, aqui notei grande precariedade na estrutura de ensino e na estrutura técnica da escola. Muitos dos funcionários não sabiam lidar com situações de organização cotidiana ou com fatos banais como brigas infantis, não raras as vezes, era dado uma atenção extrema a casos simples, os quais seriam facilmente resolvidos por uma professora experiente, contanto, em tal estabelecimento exigia uma reunião completa com o pessoal de apoio pedagógico-administrativo.
Em pouco tempo de trabalho notei a diferença que fazia um pessoal devidamente treinado, motivado e bem liderado, o grande problema neste caso encontrava-se na direção e no pessoal de apoio da unidade. Não eram más pessoas, mas trabalhadores desmotivados, educadores com pouco conhecimento, pessoas que pararam de progredir e de desejar o desenvolvimento próprio e consequentemente de seus alunos.
O fato é que uma equipe feita de total descaso gera apenas desorganização e passam aos receptores uma imagem de despreocupação.
Comecei a notar também que a quantidade de relatórios pedagógicos com teor técnico sobre psicologia era enorme, a própria orientadora sugeria os problemas dos alunos e algumas vezes estes eram atendidos com um pré-diagnóstico pelo neuropediatra. Imediatamente percebi que a linguagem usada nos relatórios era abominável, que para professores, mesmo que de educação infantil, era uma vergonha lastimável, visto que a maioria era formada (ressalva os casos dos profissionais com magistério).
Como era minha responsabilidade a digitação de tais relatório, eu mesmo iniciei um trabalho de adequação a linguagem culta e normalização as regras gramaticais.
Contudo, continuei notando mais pontos de desordem nos relatórios, casos onde até mesmo um aluno de bom comportamento e rendimento satisfatório incomodava os professores regentes, os quais descreviam que o aluno era tão monótono e introvertido que os incomodava. Imediatamente notei onde os verdadeiros transtornados encontravam-se, no comando da sala de aula.
Meu maior espanto começou quando comecei a ler os laudos do neuropediatra, foi extremamente conturbante a quantidade de alunos que dependiam da Ritalina© para ser mantidos em sala, um dia sem a droga e os alunos se tornavam insuportáveis e impossíveis de se manter no âmbito educacional, professores se negavam a aceitar a presença de um aluno em sua aula se ele não estivesse completamente dopado. Verifiquei então que os professores eram os maiores dependentes da droga, sem administrá-la aos alunos eles se tornavam arredios, amedrontados e inseguros como se não pudessem continuar sua aula, como se estivessem condicionados a fugir de um aluno com um comportamento não aceitável aos padrões impostos pela escola.
Enfim, o que eu questiono aqui vai muito além do profissionalismo, é a educação em si, professores que antes podiam manter sua turma contendo aquele aluno mais agitado agora dependem de meios externos, não são capazes de lidar com seres humanos e com reações humanas, querem robôs decorando conteúdo, tornando-se escravos do aprendizado forçado, sem imaginação, criatividade e pensamento próprio, tudo pronto. O pior de tudo é ver que este costume de encontrar o conteúdo pronto assola até os educadores, que buscam atividades prontas para fornecer aos seus educandos, a capacidade de desenvolver morreu e com ela as gerações se enterram em mais alienação.

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