A morte da Individualidade
Na antiguidade: "Penso logo existo..." Descartes.
Hoje: "Pensar para que se eu vou morrer mesmo..." Não vale a pena citar os autores...
Já dizia o poeta que a pior morte é a morte em vida... Sim, mesmo não tendo uma vida eu concordo. Nunca me deixei morrer espiritualmente (tenha espírito aqui como interpretação pessoal) e nem intelectualmente por não ser aceito pela sociedade...
Muitos me perguntam a razão de eu não possuir muitos amigos e não gostar de interagir com as pessoas. Não é difícil vir a minha cabeça uma resposta áspera como “para conversar com pessoas patéticas como você?” ou “Para evitar responder interrogatórios sobre minha aparência física e meu conteúdo mental...”, não que eu seja mal educado, ou que eu seja intolerante, eu sou apenas verdadeiro.
Em casos como esse onde você nota que a pessoa não está preparada para ouvir a verdade (e muito menos preocupada com você, ou seja, quer material para o papo de almoço com o resto do pessoal) não compensa nem continuar o diálogo, o fato é que desde criança eu nunca fui como os outros, eu não queria brincar com meus brinquedos, eu queria andar de um lado para outro usando minha imaginação como meu maior divertimento.
O problema é que, ao crescer e ter que lidar com pessoas eu também acabei mostrando para elas a existência da capacidade de viver sem ter que contar minha vida a cada vivente ao meu redor... Ao não sair por aí dizendo coisas do tipo “Estou mal porque minha namorada me deixou...” ou “Assistiu o futebol ontem?” eu me tornei uma aberração.
Como podia existir alguém que não tem namorada com 20 anos? Como poderia existir alguém envolto de tanto mistério? Por que ele não me contou que fazia aniversário ontem?
Tantas perguntas e uma única resposta, diferente do resto das pessoas fúteis que se perderam em ideologias e parâmetros sociais eu mantive minha individualidade. Algumas pessoas podem achar que eu sou falso, ou tenho “duas caras”, mas no fundo eu simplesmente omito fatos que são desnecessários para interações sociais obrigatórias e não opcionais...
Então chega alguém e pergunta... Mas esse seu individualismo não vai fazer mal a você mesmo? Não! Pois existe um abismo entre o individualismo e a individualidade, um ser individualista quer tudo para si, e não compartilha coisa alguma com as pessoas a sua volta. Já uma pessoa que mantém sua individualidade, seus diferenciais, tem muito mais a demonstrar para o mundo ao seu redor, tem mais a compartilhar, e não precisa em momento algum ser comum e “normal” aos olhos sociais, em resumo é um ser único e livre da alienação.
Eu já ouvi muitos dizerem que eu devia agira menos levianamente, devia escutar mais as pessoas, devia ser menos duro comigo mesmo (é muito difícil ser tão transparente e comum) e que deveria ser mais amigo das pessoas... Mas como diz um personagem de uma série que eu admiro muito "Temos que ser nutridos, expelir excrementos e respirar para nossas células não morrerem. ORESTO É OPCIONAL." (Sheldon Cooper).
Vamos juntos lutar pela diversidade, individualidade e originalidade... O que vale é agradar a si mesmo!


