Hierarquia e Autarquia - Municípios assolados em arrogância


O medo afasta as pessoas de seus ideais. As faz sucumbir, degradar e ocultar-se em conformismo. Alguém um dia precisa dizer BASTA!

Como cidadão livre de uma cidade pacata e considerada pólo agrícola do interior do Paraná, as únicas chances de emprego que encontrei foram: comércio, lavoura ou trabalho público. Desde muito novo eu sempre me baseei em estudos, não queria ser como meus país, trabalhadores informais que se esforçavam muito por muito pouco.

Assim que fiz 18 anos procurei um concurso público para fazer, infelizmente antes disso tive que fazer dois anos de estágio. Para quem não sabe o estágio em nosso país não tem vínculo empregatício e por isso é considerado apenas um meio de aprendizado, os salários não são ruins, mas o trabalho é considerado inútil e inferior, não podendo ser aproveitado como tempo de serviço em sua vida profissional. Após fazer o concurso fui chamado graças a uma liminar judicial que obrigou literalmente o prefeito a mandar os funcionários de Cargo Comicionados embora e contratar os concursados. Ótimo, me senti bem de saber que seria chamado, fui bem colocado, logo conseguiria os beneficios de um concurso. Doce ilusão, assim que assumi notei que além do descaso a classe para a qual fui concursado (escriturário) é tratada com desrespeito e inferioridade, o município sofre do mal da hierarquia imposta.

Em casos assim professores e funcionários de auto escalão são considerados autarquicos - acima de qualquer empregador se sentem superiores e possuidores de seu próprio vinculo empregatício, donos de seu cargo e imunes a qualquer retaliação trabalhista - por isso fui mandado para trabalhar a 20km da minha casa sem ter ao menos a chance de escolha.

Até o momento me senti totalmente desvalorizado, o salário aumentou 200 reais e para a minha surpresa o Município trabalha em um regime de contrato sem carteira assinada, a troca seria considerada justa pois os funcionários (ao terminarem 3 anos de estágio probatório) se tornam fixos e estáveis, não podendo ser demitidos. Hilário, simplesmente uma palhaçada vergonhosa, já não bastasse os 3 anos de escravidão não temos totais direitos trabalhistas. Passados 7 meses de trabalho, esperei gozar de férias como todos os funcionários da Secretaria de Educação, doce desespero que me persegue, todos os empregados com menos de 12 meses não teriam direito nem a um folga de 3 dias. Perfeito, agora sinto a democracia correr em minhas veias e tenho o horgulho de dizer que sou um funcionário público, admitido por concurso, vivo em um regime Hierarquico, onde os mais fortes são autarquistas e os mais fracos vassalos da prole.

Enfim, nem ouso dizer o nome da cidade, se somos tratados assim, que tipo de retaliação eu posso sofrer se continuar a “difamar” nosso ilustre prefeito.

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